how the mighty have fallen


Era uma vez uma menina que coleccionava os anúncios de perfumes das revistas da Mãe. A menina gostava especialmente dos anúncios da Yves Saint Laurent. Havia uma mulher lânguida em tons de ouro e vermelho no anúncio do Opium, outra sorridente com uma braçada de rosas e a Torre Eiffel em fundo para o anúncio de Paris, e uma deusa sofisticada de vestido branco no anúncio do Y. A menina gostava dos anúncios e dos frascos de perfume incluindo o grande frasco de Y na cómoda da Mãe, embora o perfume preferido dela fosse o Private Collection de Estée Lauder que ainda hoje é o cheiro da Mãe… que uma vez ao usar este perfume, até foi abordada na rua por uma desconhecida que teve absolutamente de lhe perguntar qual era o perfume que usava!

Curiosamente, em termos de perfumes masculinos a bête noire da menina era… Kouros. O sufoco! Mas apesar dessa inimizade figadal, a menina sabe hoje reconhecer que, goste-se ou não, Kouros era um Perfume de Homem com letra grande, tal qual como Rive Gauche, Opium, Paris e Y eram Perfumes de Mulher.

Esses eram os tempos.

Mas como dizia o outro, a tradição já não é o que era, e os perfumes Yves Saint Laurent também não. Depois do último grande, Champagne depois renomeado Yvresse, veio uma era de múltiplas iterações dos clássicos, umas coisas chamadas Baby Doll isto e aquilo, uma nave extraterrestre chamada Nu da breve era Tom Ford… e depois, no ano passado, uma autêntica catástrofe de nome Elle. O frasco rosa piroso e dourado barato seria digno de um perfume assinado por Paris Hilton. Do perfume em si, quanto menos se disser melhor.

E depois disto tudo, este ano é lançado Parisienne. Confesso que, para minha surpresa, até achei bastante sedutora e bem conseguida a campanha publicitária com Kate Moss (já agora, a música do anúncio é uma versão de I Feel You dos Depeche Mode, feita pelos Placebo). Embora não deixe de assinalar a ironia de pôr a resolutamente inglesa Moss a fazer publicidade a um perfume chamado Parisienne!


Parisienne foi criado por Sophia Grojsman, a criadora do clássico Paris, e o conceito do perfume parecia indicar uma iteração mais moderna deste. As notas olfactivas de Parisienne são: “acorde de vinil” (mas o que é que hão de inventa a seguir?!), arando, amora, rosa damascena, violeta, peónia, patchouli, vetiver, sândalo e almíscar. E no que resulta isto tudo? O “acorde de vinil” não o encontrei em lado nenhum: fica uma impressão de frutos vermelhos e rosas, e pouco mais…


Não deixo de imaginar o que o saudoso Monsieur Saint Laurent pensaria disto tudo. É certo que os perfumes e maquilhagem da grande marcas são, geralmente, geridos em sistema de licenciamento e são independentes da casa de alta costura em si. Mas hoje em dia é cada vez mais comum um acerto de passo entre si para que todas as iterações da marca apresentem uma imagem coesa. Se Parisienne é certamente um passo na direcção certa, os perfumes Yves Saint Laurent actuais ainda têm de evoluir muito para fazer justiça ao legado do criador e ao bom trabalho que Stefano Pilati actualmente está a fazer.

E francamente, não arranjavam uma francesa para o anúncio?

Sem comentários :

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...