eyjafjallajoekull

A Islândia é um pequeno país meio esquecido entre as gélidas vagas do Mar do Norte, que de vez em quando irrompe pelas nossas vidas para nos lembrar o carácter sui generis das forças telúricas que ali habitam entre o fogo e o gelo. Primeiro trouxe-nos Bjork, em 2008 o país inteiro foi à falência e ajudou a precipitar o colapso financeiro mundial, e agora um vulcão cujo nome ninguém consegue pronunciar paralizou os céus de quase toda a Europa.

Se por acaso e por azar alguém está a ler isto enquanto espera interminavelmente para seguir viagem... I feel with you. Já passei por algumas viagens infernais, mas nada que se possa comparar.

Mas a verdade é que quando não estão a arrasar casas e paisagens, a servir de tema a documentários do National Geographic ou a dar cabo dos nossos planos de viagem, os vulcões têm servido em tempos recentes como uma das mais originais inspirações na cosmética. Pois é, sempre que pensamos que não conseguem inventar mais nada...


A linha de cosmética da marca Giorgio Armani centra-se num produto estrela, a Crema Nera, supostamente inspirada pelas rochas negras da ilha vulcânica de Pantelleria, onde o criador Giorgio Armani tem uma casa. Essas rochas negras, também conhecidas como obsidiana, contêm uma alta concentração de minerais como sílica, sódio, ferro e potássio. A partir daí se criou a Crema Nera (que apesar do nome, é branco) que contém um Complexo Mineral de Obsidiana destinado a promover a regeneração celular. O creme custa os olhos da cara, mas tive a sorte de receber, faz tempos, uma amostra generosa de Crema Nera que guardei para usar numa viagem que fiz a Londres no passado Outono. Tenho pele oleosa, e por ser um creme mais rico do que aqueles que habitualmente uso, achei que faria sentido usá-lo para proteger a pele num clima mais frio e agreste. O resultado de uma semana de uso? Bem, a verdade é que aplicar Crema Nera é uma experiência divinal - o toque e aroma do creme, a sensação da massagem... - mas não posso dizer que tenha tido grandes resultados. No final de uma semana de muito vento, muito frio e muitos passeios ao ar livre, tinha a pele da metade inferior da cara tão seca e dorida, que já usava baton do cieiro na cara. E quando voltei a casa e me olhei no espelho de ultra-hiper-aumento da minha Mãe, tinha o nariz cheio de pontos negros. São umas centenas de euros (!) que nunca hei-de gastar.

Já com a linha Volcanic Ash da MAC tive mais sorte... relativamente falando, é claro, pois trata-se de uma edição limitada que por esta altura já será bastante difícil de encontrar! O Volcanic Ash Exfoliator é um dos melhores exfoliantes que já usei. Apesar do nome, as partículas exfoliantes propriamente ditas são açúcar, por isso dissolvem-se à medida que o massajamos na pele. Ou seja: começa-se a exfoliação com uma pasta preta e granulosa, e depois de uns minutos de massagem os grânulos desaparecem e ficamos com uma espécie de máscara cinza. A pele fica muito suave sem qualquer tipo de agressão. O grande senão é que, conforme devem ter percebido pela minha descrição, é preciso algum cuidado com a mistela preta para não sujar mangas, toalhas, etc. Depois de esgotada a primeira produção, passados uns tempos o Volcanic Ash Exfoliator voltou em bisnaga e acompanhado de uma prima, a Volcanic Ash Thermal Mask. É claro que fui a correr comprar! Mas como ainda estou a usar do boião não abri as bisnagas, e ainda não experimentei a máscara. Ficará para uma próxima vez...

"Eyja" = ilha
"Fjalla" = montanha
+ "Jokull" = glaciar
"Eyjafjallajoekull"

4 comentários :

  1. Gostei da descrição e da conjugação com o vulcão. Foi uma boa dica porque desconhecia o produto.

    Beijo

    invoguewithsilvanaquerido.blogspot.com

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  2. Ao contrário da "Crema Nera", o "Soin Noir" da Givenchy é mesmo negro. Parece que a culpa é da "Skeletonema Costatum" (algas!)...

    A Amiga D.

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  3. Ai que me doeu a carteira só de olhar para o preço... mas fiquei curiosa, presumo que ao massajar na cara o creme desaparece, senão teríamos um blackface do século XXI...

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  4. Sim, a cor desaparece, a única coisa visível são pequenas partículas prateadas. Há, no entanto, quem se queixe de marcas deixadas nas mãos - e como não me parece que seja muito agradável aplicar um creme de rosto com recurso a luvas cirúrgicas...

    A Amiga D.

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