you know the name, you know the number

She's back!!! Infelizmente a minha recente ausência do estaminé não se deveu a viagem, negócio, lazer ou sequer cobertura da MLX... depois de quase duas semanas a tossir até já não ter forças, veio a revelar-se que tinha uma pneumonia e passei uma semana chez maman a recuperar, que é como quem diz, não fazer absolutamente nada a não ser ver o Tyra Show na SIC Mulher. De maneira que o meu pobre cartão Multibanco já corria o risco de desmagnetizar por falta de uso e impunha-se uma ronda pelo shopping para inspeccionar as novidades, o que me traz ao assunto de hoje.


Já tinha na wish list o novo batom da Chanel, o Rouge Coco Shine que é uma textura mais ligeira, tipo gloss, quando comparado com o Rouge Coco original. A cor-estrela da colecção, usada por Vanessa Paradis no anúncio, é o n.º 54 Boy, assim chamado em honra de Arthur "Boy" Capel de quem se diz ter sido o grande amor da vida de Coco Chanel. Quem viu o filme Coco Avant Chanel, de onde provém esta imagem, certamente se recordará da história: embora casado com outra mulher nas longínquas ilhas britânicas, "Boy" Capel vive um romance intenso com Coco e inclusivé ajuda-a com o financiamento para abrir o seu atelier de costura em Paris, mas pouco tempo depois morre num acidente de automóvel. E diz-se que Coco nunca mais amou assim outro homem... Nos EUA a Chanel fez um lançamento especial exclusivo do Rouge Coco Shine no Dia de São Valentim, colocando à venda apenas este tom. É um rosa muito suave e translúcido que fica bem em quase todos os tons de pele.

Entretanto pus-me a pensar sobre a ciência de dar nomes a produtos de maquilhagem. Se certamente nem o melhor golpe de marketing pode salvar um produto de má qualidade, às vezes é o empurrãozinho que falta para gerar um sucesso de vendas, um produto de culto, ou preferivelmente ambos!


Os senhores da Chanel não são novatos nestas andanças, não. Pertence à Chanel aquele que foi o primeiro de todos os it polish da nossa geração: o Rouge Noir. Este vermelho sangue quase negro, lançado em 1994, já andava na boca (e nas unhas) de todas as editoras de moda quando surgiu também nas unhas de Mia Wallace, a inesquecível personagem de Uma Thurman no filme Pulp Fiction. Vendeu que nem pão quente, e passou a fazer parte da colecção permanente da Chanel.


E nada disto é novo, pois já em 1953 a Revlon promovia cada nova cor de batom - sempre com verniz a condizer, pois claro! - com anúncios apelando ao misterioso imaginário feminino e nomes poéticos. O clássico Cherries in the Snow - um vermelho carmim absolutamente bombástico - ainda faz parte da colecção permanente da marca, e não me escapou na última viagem a Londres, tanto o verniz como o batom. Foi juntar o útil ao agradável: muitos anos antes, tive um verniz da MAC numa cor designada Cuisine que entretanto desapareceu, que era o carmim mais maravilhoso que alguma vez tinha visto. Apesar de o ter usado até ao fim, guardei o frasco porque gostava tanto da cor. Qual não é o meu espanto ao descobrir que o Cherries in the Snow e o Cuisine eram praticamente gémeos!


Aliás, recuemos um pouquinho mais na máquina do tempo: em 1939 George Cukor filmava The Women, ainda hoje um dos filmes mais divertidos e acutilantes sobre o que é ser mulher [e aqui vou fazer um aparte, porque sim, existe uma versão "moderna" do mesmo filme feita em 2008 com a Meg Ryan que é tão má, mas tão má, que todas as cópias do filme deviam ser queimadas em praça pública] onde toda a acção começa porque uma esteticista fala demais enquanto aplica a uma das protagonistas uma manicure com a cor do momento, um verniz chamado Jungle Red. É claro que o Jungle Red era inventado, mas muitos anos depois o maquilhador François Nars, criador da marca com o seu nome e cinéfilo inveterado, deu o nome de Jungle Red não só a um verniz, mas ainda ao batom e lápis delineador a condizer! E sim, minhas senhoras. Eu comprei o verniz por causa do nome. The bottom line: a cor é lindíssima, um vermelho muito profundo na linha do Rouge Noir mas não tão escuro. Infelizmente a fórmula é muito fraca e precisa de três camadas para ficar opaco...


Last but not least, pertence a François Nars aquele que é talvez o maior golpe de génio dos tempos modernos no que toca a nomes de produtos de maquilhagem. Este blush pêssego/coral com um ligeiro brilho, é uma cor que instantâneamente dá um aspecto natural e saudável a quase todos os tons de pele (se bem que deva ser aplicado com mão leve). Eu diria mesmo que esta cor devia fazer parte do arsenal de maquilhagem de qualquer mulher, e para além do original tenho um ou dois irmãos gémeos muito parecidos (por exemplo, o blush Mighty Aphrodite da colecção Wonder Woman da MAC). O seu nome? Orgasm. Ainda hoje é o produto mais vendido da marca e entretanto já existe iluminador, verniz e gloss com o mesmo nome. A isto se chama saber o que querem as mulheres...

3 comentários :

  1. Excelente post! excelente pesquisa!

    Bjs*

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  2. Reparei na ausência mas espero que estejas melhor! :) Estou curiosa em ver essa cor do novo baton Chanel! :D

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