evolução na continuidade, etc e tal

Confirmou-se hoje a notícia que a gossip corria há muito: Christophe Decarnin vai deixar a casa Balmain, esperando-se na próxima semana a nomeação do seu sucessor, que em princípio será alguém da equipa criativa da casa. A ausência de Decarnin nos desfiles de Outono-Inverno 2011 - justificada por uma hospitalização por exaustão... - levantou imediatamente rumores, sendo que o mais recente atribui a saída do designer a divergências com o CEO Alain Hivelin sobre os rumos criativos da marca.

Confesso que, excepto um love affair louco por uns botins vermelhos, nunca gostei da encarnação moderna da casa Balmain. No meio de tantas lantejoulas, galões, blusões à Michael Jackson e peças "desconstruídas", eu só conseguia imaginar o pobre Monsieur Pierre Balmain às voltas no túmulo por ver uma T-shirt de algodão rasgada a ser vendida com o seu nome por € 1.028,14 (vamos lá escrever por extenso... mil e vinte e oito euros e catorze cêntimos).

Isto não quer dizer que eu não gostasse do trabalho de Christophe Decarnin; não vou ao extremo da Cathy Horyn que certa vez lhe chamou elegant trash. Simplesmente significa que eu sempre achei que este designer e, talvez, a equipa criativa à sua volta e mesmo a visão da actual administração da marca, estavam completamente errados para assumir o que era a essência da casa Balmain e trazê-la para o século XXI. Não falo de ir aos arquivos e copiar o que já foi feito. Não falo de apresentar sempre as mesmas silhuetas, as mesmas peças. Falo, sim, de pegar no antigo, desmanchá-lo até ao âmago, e criar algo novo. Podem crer que é muito mais difícil do que receber carte blanche e fazer pura e simplesmente o que nos dá na telha...

As linhas arquitectónicas da Balenciaga, desde os tempos de Cristobal Balenciaga até à era de Nicolas Ghesquiere.

Le Smoking e o vestuário masculino apropriado por Yves Saint Laurent e retomado por Stefano Pilati...

Luxo, elegância, sofisticação e linhas elegantes, de Christian Dior a John Galliano [e quem será o senhor que se segue?...]

E talvez o mais fascinante trabalho de reinvenção seja o de Karl Lagerfeld na casa fundada por Coco Chanel, e onde em cada nova estação podemos ver clássicos como o tailleur e o tweed passar por encarnações que vão desde o romântico ao futurista!... e tantos outros exemplos: Alber Elbaz para Lanvin, o recente trabalho de Rodolfo Paglialunga no relançamento da casa Vionnet...

E no meio disto tudo, uma casa de alta-costura que outrora rivalizou com a Dior em elegância faz roupas mais apropriadas para estrelas do rock. Há qualquer coisa que não bate certo.

Honestamente espero que Christophe Decarnin possa, quem sabe, lançar a sua própria marca e continuar a desenvolver a sua visão criativa. Não é que eu não goste das roupas que ele desenha. Simplesmente, na minha opinião era o homem errado no local errado. Que possam os seus respectivos novos caminhos trazer criatividade e prosperidade a Christophe e à casa Balmain.

6 comentários :

  1. E este foi o meu post preferido!

    É exactamente aquilo que sinto em relação a esta história toda! Eu adorei o trabalho do Decarnin até umas estações atrás, posso até dizer que influenciou mais a forma como me visto do que alguns designers cujos desfiles eu adoro. Mas, definitivamente, não era o homem certo para a maison Balmain. E não poderia haver melhor forma de ilustrar isso do que mostrando como as outras maisons fizeram a transição para o presente.

    Não sei quem será o senhor que se segue, mas espero que faça algo mais ao espírito Balmain e menos ao espírito Michael Jackson!

    ResponderEliminar
  2. Hi babe,
    thanks for your amazing comment!!! Means a lot to me!!! I am glad to be able to inspire people!
    And YESS, those pants fits almost perfect!! I am in love with them :-)
    Would love to have you as my follower!!!

    Kisses Julia

    http://geeksndfashion.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  3. Obrigada! Honra feita ao espírito Michael Jackson, quem conhece a história da casa Balmain não podia ficar satisfeito com as actuais linhas editoriais - e olha que esta estava-me atravessada há muito tempo... Sem o Decarnin e sem a Emmanuelle Alt (era stylist da marca mas deixou de ser agora que está full-time na Vogue Paris), estou bastante curiosa para ver o que vem por aí...

    ResponderEliminar
  4. adorei a maneira como abordaste o tema, faz-nos ver a notícia de um ponto de vista diferente e na minha opinião bastante mais interessante!

    http://godsavethefashionblog.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  5. Gosto muito do trabalho do Decarnin, mas realmente desconhecia que a Balmain "antiga" era tão diferente...

    ResponderEliminar
  6. Olá :)
    Comecei um blog para vender algumas coisas novas e em 2a mão que já não uso, e estou a oferecer algumas coisinhas!

    Para participar:

    http://getoutofmycloset.blogspot.com/2011/04/giveaway.html

    beijinhos*

    ResponderEliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...