"I introduced Liz to beer, and she introduced me to Bvlgari"

As palavras de Richard Burton ilustram com jovialidade não uma mas duas das grandes paixões do século XX: Richard e Liz, Liz e as jóias. Ontem o leilão das jóias de Elizabeth Taylor, organizado pela Christie's em Nova York, arrecadou 115 milhões de dólares (mais coisa menos coisa, 90 milhões de euros) e bateu o recorde da maior venda privada de joalharia de sempre. O recordista anterior era o leilão das jóias de Wallis Simpson, Duquesa de Windsor, realizado em 1987 e que à época se saldou por 50 milhões de dólares.

O extraordinário valor histórico e emocional destas peças levou a que praticamente todas ultrapassassem o valor de uma mera avaliação material. Mas oh, como são belas!


Este conjunto da Bvlgari terá sido dos primeiros presentes de Richard para Elizabeth. Durante a longa rodagem do filme Cleópatra em Roma, Richard foi fazendo sucessivas viagens à loja da Bvlgari até comprar o conjunto completo!


Mas o vício das jóias já teria sido passado a Liz pelo seu terceiro marido Mike Todd, que lhe deu peças magníficas como este conjunto da Cartier e até...


... esta assombrosa tiara de diamantes do século XIX que Mike ofereceu a Liz dizendo - passem-me os sais de cheiro antes que eu desmaie - "és a minha rainha e por isso mereces uma coroa" (Todd morreu tragicamente num acidente de avião em 1958).


Uma peça que considero especialmente linda é o diamante Taj Mahal, que Richard Burton ofereceu a Elizabeth pelo seu 40º aniversário em 1972. O diamante data do século XVII e fazia parte do espólio do imperador indiano Shah Jahan, que o ofereceu em 1621 ao grande amor da sua vida, a esposa Mumtal Mahal. Ah, e também lhe construiu esta casita mas como disse Burton na altura, “I would have liked to buy the Taj Mahal for Elizabeth, but it would have cost too much to transport it.”



A arrematar a categoria das jóias com história, outra peça digna de uma rainha: o colar La Peregrina, concebido pela Cartier (com a colaboração da própria Liz) à volta de uma enorme pérola natural com o mesmo nome, em forma de lágrima que se diz ser uma das maiores e mais perfeitas do mundo. La Peregrina data do século XVI e, originalmente encontrada por um humilde escravo na costa de África, foi parar às mãos de Filipe II de Espanha que a ofereceu à esposa, a rainha Maria de Inglaterra. Depois de passar por muitas cabeças reinantes e até pela família Bonaparte, a pérola acabou vendida a um marquês inglês no século XX, que a leiloou na Sotheby's onde Richard Burton a comprou.


Mas não se pense que Elizabeth Taylor ficava placidamente sentada à espera que lhe oferecessem jóias, ou que o seu gosto era apenas clássico. Prova disso são estes brincos do joalheiro Joel Arthur Rosenthal (conhecido pela sigla JAR), que datam de 2001 e eram dos favoritos de Liz nos seus últimos anos.


Finalmente, não poderia deixar de mencionar o diamante que reinventou a palavra "cachucho". Com 33 quilates e elevado grau de perfeição, o Diamante Elizabeth Taylor foi, também, um presente de Richard Burton. E diz-se que Liz o usou quase todos os dias para o resto da sua vida.

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