it's not you, it's me


Então aconteceu o seguinte: comprei a Elle e verifiquei que o passatempo dos convites para a "preview" Maison Martin Margiela + H&M consistia simplesmente em ser uma das primeiras 200 pessoas a enviar um email com nome e morada para a Elle! Claro que enviei imediatamente o email do iPhone, e quando cheguei regressada de Londres, tinha um convite à minha espera...
 
Os senhores da H&M meteram ligeiramente água, porque anunciaram que a "preview" era às 22:30 mas ninguém falou em sistema de pulseirinha, chego lá descansadamente às 22:15 e estão umas simpáticas meninas a colar pulseiras nas pessoas e a minha já era do segundo grupo.
 
Mas a verdade é que afinal quando nos deixaram entrar, foi tudo mais ou menos ao mesmo tempo e nunca antes tive tanto tempo e desafogo para experimentar todas as peças que queria!


Sim, nos primeiros minutos houve uma grande correria à volta dos expositores. No entanto, à medida que a noite avançou, havia mais peças a voltar ao expositor do que a irem para a caixa! O casaco preto que eu mais queria experimentar, quase desapareceu do expositor no início, mas ao fim da noite voltaram quase todos, como filhos pródigos, de modo que grande parte da área dos expositores parecia absolutamente intocada...
 
A verdade indiscutível é que esta colecção está muito bem feita, mas tem dois problemas. Um, é um bocado cara. Já o tinha dito aqui. SESSENTA CONTOS DE REIS por umas botas? Depois, questão que se tornou notória ao longo da noite de ontem, é que grande parte das peças desta colecção são tão "à frente" que se tornam muito difíceis de vestir no dia-a-dia. Sim, se eu vivesse em Londres e fosse dona de uma galeria de arte, conseguiria vestir 90% desta colecção. Ah, e ser uma amazona nórdica também ajudava imenso.
 
Assim como assim, não. Por exemplo, aquela saia azul era bonita e bem feita, mas se eu a usasse seria parada de dez em dez minutos por pessoas a dizer-me "menina, olhe que tem a saia entalada". Já as calças, como sempre acontece com as calças da H&M, ficavam-me absolutamente mal. Obviamente que nem experimentei as coisas oversized, porque os meus 1,50m não aguentam tais modelitos.
 
E os sapatos? Ah, os sapatos... super bem feitos, não têm nada a ver com a (fraca) qualidade habitual dos sapatos da H&M. Pudera, são Made in Portugal! As botas castanhas eram lindas, muito confortáveis e ficavam-me super bem. Mas não só eram caríssimas, como não conseguia deixar de pensar que aquele salto acrílico iria rapidamente ficar cheio de riscos nas nossas calçadas! Já os sapatos pretos rasos também assentavam bem, porém achei que não se justificava dar € 99 por uns simples sapatos pretos...


E o famoso casaco preto? Bom, eu não tinha percebido pelas fotos que se tratava de um casaco assertoado, modelo que raramente me fica bem. E depois a moldagem desta colecção é louca. As peças oversized são gigantescas, as restantes são mínimas. O 34 servia-me mas não apertava; o 36 apertava, mas sobrava tecido nas costas. O desgosto! Depois ainda experimentei este casaco bege,  de corte impecável, mas as aberturas debaixo das mangas davam um efeito muito esquisito para o meu gosto...


Também gostava muito desta blusa em seda patchwork, no entanto era complicada de vestir como o raio. A sério, trazia instruções! Eu não leio as instruções da televisão, quanto mais de uma peça de roupa...
 
E estive a segundos de dizer "ora abóboras para isto tudo" e ir-me embora sem comprar nada, quando em último recurso fui experimentar este casaco cinzento. Não aparece no lookbook, no cabide não dava dez tostões por ele, e à meia noite ainda estavam mais de dez exemplares no expositor. Experimentei-o, e magia pura. O raio do casaco era mesmo a única peça que me ficava bem. Ainda por cima é completamente Margiela mas vestível: está construído como se fosse um casaco de homem que foi ao alfaiate ser adaptado para mulher (com alinhavos e tudo), ou seja, à primeira vista parece um casaco normal, mas depois começam a sobressair os detalhes que o tornam único. Portanto, comprei-o. E até custa o mesmo que o casaco preto que eu estava a planear comprar inicialmente: € 99.

 
Portanto, a coisa não correu totalmente mal. E havia mojitos de Porto branco - OK, também havia comes, mas entre as correrias para o provador, e o aparelho ortodôntico, nem me apeteceu petiscar. Finalmente, tivemos direito a um notebook com papel de linhas e tudo! Sim, porque eu não consigo escrever em papel branco. O notebook da colecção Sonia Rykiel era papel branco e acabou transformado em caderno de recortes. Eu sou esquisita assim.

4 comentários :

  1. ora bem, cheira-me que ainda vai haver sobras dessa colecção especial lá pra Dezembro, tal como aconteceu com aqueles vestidos caríssimos da Lanvin que pareciam de ballet!

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    1. Pode ser que o calçado ainda vá para saldo... :-)

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  2. eu estou de olho no sobretudo de pêlo... viu-o ao vivo? que tal é?

    o problema é que não vou ter possibilidade de ir à H&M na quinta de manhã, pelo que nem experimentá-lo (provavelmente para constatar que fica muito grande para o meu 1,52mt de gente) devo conseguir.

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    1. Eu vi esse sobretudo, mas (a) não achei o meu género e (b) realmente, como todos os sobretudos da colecção, pareceu-me grande... Não experimentei. Mas desconfio que não vai esgotar tudo de uma vez, pode ser que tenha sorte!

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