moi, aussi [reflexão sobre carteiras, telemóveis e imbecilidade]

 
Neste momento, metade do meu "feed" no Facebook são pessoas a indignar-se com o "affaire Chanel" e a outra metade são pessoas a indignar-se com a indignação. Eu nem sigo o blog da Filipa, temos estilos um bocado diferentes, e já vi muita coisa na vida mas nunca deixo de me surpreender quando os portugueses têm estes pequenos soluços de histeria colectiva.
 
Sim, a Filipa fala "à tiaaa" e foi talvez um bocadinho ingénua nas coisas que partilhou com as internetes. No entanto, se ela quer juntar dinheiro para comprar um artigo de luxo, se ela trabalhou para ganhar esse dinheiro e pagou impostos sobre ele, pode fazer o que muito bem entender. Eu não julgo as pessoas. A cada um as suas responsabilidades, a cada um a sua consciência. Se me caísse no colo aquele dinheiro e eu não precisasse dele para mais nada (tipo pagar dívidas, impostos, a revisão do carro, etc. e tal) eu preferia mil vezes comprar uma carteira Chanel a comprar acções de um banco. Olhem que a longo prazo é um investimento muito mais seguro… Algumas pessoas que agora se mostram muito chocadas e falam na fome no mundo e no fim da guerra, se calhar estão a pagar a prestações o ecrã plasma ou o telemóvel de último modelo.
 
O problema é o mesmo de sempre, apenas agravado pela situação actual do país: somos um povo de masoquistas profissionais que não suportam gente que se mostra feliz com alguma coisa. Eu sei bem do que falo. O meu querido Avô, que nos deixou há quase dois anos, era um ferrenho adepto do Benfica. E nos últimos anos passava os dias de jogo em discussões acesas com os amigos, porque mesmo quando o Benfica ganhava, ele achava que o Benfica tinha jogado mal e merecia perder.
 
O facto de eu, a Filipa ou tantos outros falarmos de maquilhagem, roupas, carteiras e capas de revista não significa, por si só, que as nossas vidas sejam feitas de algodão doce, fadas e unicórnios. A minha vida às vezes é complicada, sim, e eu não venho para aqui chorar. E às vezes gosto de olhar para coisas bonitas para me distrair da assustadora indiferença do mundo. Isso, e gritar impropérios no trânsito com os vidros fechados, fazem maravilhas contra o mau humor.
 
Agora honestamente e só para rematar: continuo sem perceber que raio passou pela cabeça dos senhores criativos na Samsung. A maior parte das marcas e agências de publicidade em Portugal continuam sem saber como lidar com bloggers e redes sociais, e depois dá nisto.

6 comentários :

  1. Totalmente verdade. A campanha foi péssima. Todos os bloggers ficam a perder.

    http://jessi-aleal.blogspot.pt/2013/01/a-polemica-e-tonteria-da-samsung.html

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gostei muito de ler a tua análise sobre a execução da campanha. Há pormenores que fazem toda a diferença, mas neste caso foi mesmo incompetência geral de todos os intervenientes. E depois descartam-se e a culpa é dos bloggers. Duh!

      Eliminar
  2. No fundo, há é mta gente invejosa!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vira o disco e toca o mesmo, e este país nunca sairá do buraco enquanto as pessoas se preocuparem mais em deitar os outros abaixo, que em melhorar as suas próprias vidas..

      Eliminar
  3. A página do facebook dedicada à Pepa já tem 8.000 fãs. Tantas pessoas a dar-se ao trabalho de odiar outra desta maneira..

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A internet trouxe muitas coisas boas. Mas trouxe também a enorme facilidade de, sob a cobardia do anonimato, deitar cá para fora frustrações e ataques pessoais de uma forma assustadora. Liberdade de expressão não significa dizer tudo o que nos vem à cabeça impunemente!

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...