maré vermelha (ou, uma experiência no mínimo curiosa com a coloração Garnier Olia)


O disclaimer começa pelo seguinte: eu sou uma das pessoas mais incompetentes que conheço em matéria de cabelos. Qualquer coisa que implique mais que lavagem, amaciador e cinco minutos de secador ultrapassa a minha ciência. 

A verdade é que fui abençoada com um cabelo forte, liso e abundante que em criança era de um preto asa-de-corvo tão reluzente que um dia até perguntaram à minha Mãe se o meu pai era asiático! Com o tempo os reflexos passaram para castanho escuro mas continuou sempre liso, impreterivelmente liso, e sempre a crescer a uma velocidade estonteante. Como sou baixinha e nunca tive paciência nem habilidade para perder tempo com secagens e escovas, sempre usei cortes médios sem nunca chegar aos ombros. É que além disto tudo sofro de oleosidade portanto a "juba" não aguenta mais de 48 horas sem lavagem.

Por volta dos 18 anos (!) apareceram-me os primeiros cabelos brancos e como fui desenvolvendo umas enormes madeixas brancas à frente, comecei a fazer coloração e aos poucos aproveitei para "descer" a cor em alguns tons para um castanho / vermelho / acobreado. Raras vezes experimentei coloração em casa devido à minha total, repito, total incompetência para fazer coisas mais complicadas ao cabelo. 

A minha Mãe, pelo contrário, é uma autodidacta que faz de tudo, desde pôr rolos a pintar em casa, com o maior à-vontade. Desde que a L'Oreal lançou a tinta de cabelo Inoa sem amoníaco que ela não usa outra coisa no cabeleireiro, e quando a Garnier lançou a Olia ela experimentou, gostou imenso e usa regularmente. Tudo isto vem a propósito, porque no início do mês eu estava já com umas raízes descomunais e a precisar mesmo de fazer coloração. Mas eu ainda vou fazer uma semana de praia intensiva, portanto fazia muito mais sentido ir ao cabeleireiro fazer o corte e coloração em Setembro, depois de voltar. Disse-me a minha Mãe, "porque é que não pintas com Olia que eu ajudo-te?" e eu lá me decidi a fazer a experiência.

A coisa começou esquisita logo na altura de escolher a cor. É que a Olia só tem dois avermelhados na gama e nenhum dos dois era muito próximo da minha cor. Eu não sou especialista na coisa, mas lembro-me vagamente de ler que os vermelhos são as cores mais difíceis de estabilizar, por isso desconfio que o facto de ter a base em óleo e sem amoníaco limita a gama de vermelhos que conseguem fazer em Olia. Anyway, lá escolhi a cor 4.6 Castanho Avermelhado depois de me certificar que a mesma era compatível com a minha cor base.

Com a ajuda da Mommy lá apliquei a coloração. O sistema de aplicação é relativamente simples, a tinta não escorre e realmente não cheira a nada. Na verdade o cheiro do amoníaco nunca me incomodou, por isso esse ponto para mim é um bocado indiferente. Para quem nunca aplicou coloração vermelha, ficam desde já avisadas que a coisa pode parecer um bocado estranha: a tinta começa rosa salmão e desenvolve até ser uma espécie de laranja radioactivo, e se não têm cuidado vai parecer que desmembraram um cadáver na casa de banho. Como no cabeleireiro a minha coloração passa exactamente pelo mesmo processo, pareceu-me que estava a ir no bom sentido. Passado o tempo regulamentar lavei tudo e até gostei do resultado: o cabelo fica muito macio com esta coloração. O tom era um pouco diferente do que eu tinha, o meu era mais acobreado e este era mais sangue-de-boi, mas tirando isso nada a opor.

A história fica verdadeiramente estranha nos dias seguintes. Com a minha cor é normal o champô sair um bocado cor-de-rosa na lavagem a seguir à aplicação. E com efeito saiu tanto que tive de pôr a toalha para lavar logo a seguir porque a mesma ficou toda manchada de rosa. Agora, o estranho é que na lavagem seguinte voltou a sair rosa. E na seguinte. And so on. O resultado é que depois de três lavagens já se notava que eu tinha as raízes de uma cor ligeiramente diferente do resto do cabelo; porque a verdade é que o cabelo que já tinha sido pintado quase que voltou à cor antiga, enquanto o cabelo da raiz que levou coloração pela primeira vez está muito mais próximo da cor inicial do Olia. A coisa não é dramática nem é assim tão visível (excepto para mim), mas não consigo perceber se terá sido algum passo da aplicação, ou se por qualquer razão este tipo de coloração não funciona no meu cabelo.

Tendo em conta que a minha Mãe usa Olia e está satisfeitíssima, parece-me que isto é realmente um daqueles casos em o produto tem desempenhos diferentes em cabelos e com cores diferentes... Moral da história: da próxima vez que tentar fazer coloração em casa vou usar Nutrisse, que ainda por cima tem cores muito mais próximas daquela que eu queria.

7 comentários :

  1. Por acaso eu sou uma maluca aventurada nos cabelos em casa, já pinto desde os 13 anos, já passei por ruiva, vermelho, acobreado, roxo, preto, e ha cerca de 4 anos voltei á minha velha cor natural, o castanho médio! Às vezes uso dessas tintas sem amoniaco, duram-me cerca de 2 meses no máximo, sai com as lavagens, assim posso variar sem me cansar, como te aconteceu... para cobrir cabelos brancos é melhor mesmo optares por uma cor mais permanente e com amoníaco, funcionam melhor...

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    1. Olá! Foi mesmo essa a conclusão a que cheguei. As tintas sem amoníaco parecem não funcionar no meu cabelo de forma permanente: passadas seis lavagens a água ainda saía cor-de-rosa!

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    2. Olá, a mim aconteceu-me algo idêntico em Abril, também com uma tinta da marca Olia. A tinta não cobriu os meus poucos cabelos brancos como devia, a cor ficou esquisita e não correspondia em nada á cor anunciada.
      Mas o pior de tudo foi a queda de cabelo que me provocou, ainda hoje continua a cair. Para mim Olia nunca mais, e não voltei a pintar o cabelo, pois ainda me está a cair muito, mas quando o fizer vai ser de novo com Keranove, pois essa tinta é para mim a melhor.

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  2. Mas que chatice! Nao tenho grande experiência com coloração em casa, mas durante a faculdade algures nos longos 6 anos do meu curso tornei me ruiva alaranjada. A certa altura fartei me da cor e aprendi a fazer tom sobre tom em casa... Comprei uma daquelas espátulas e potes medidores, usava a Richesse da Loreal que e óptima, seguindo as instruções da senhora da loja de cosmética e adicionava duas ou três nozes de mascara (sugestão da minha cabeleireira).. Fazia isto de 3 em 3 semanas, no cabelo todo, e conseguia um loiro escuro strawberry. Nunca me saiu agua nas lavagens e acabava por ser muito mais económico a longo prazo que as colorações densupermercado porque so gastava meia bisnaga de cada vez! Se calhar também acaba por ser uma boa opção para ti, especialmente se souberes a tua cor!

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    1. Sim, eu vou fazer umas pesquisas adicionais! Mas como o meu cabelo ainda desce uns tons desconfio que preciso mesmo de coloração com amoníaco (honestamente nunca me deu problemas). Por acaso não conhecia o Richesse: vou espreitar na próxima vez que passar por uma loja :D

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    2. Acho que o tom sobre tom nao funciona para aclarar (mas relembro... eu nao entendo nada disto!) mas da para mudar reflexos e para escurecer! Dado o meu novo visual loiro acho que vou voltar a fazer richesse de vez em quando em casa, so para tirar o dourado do cabelo, quando a coisa começar a ficar feia...

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  3. Use o tom 6.43 mel acobreado..Vai clarear mais e desborar menos!

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