os suspeitos calçavam Louboutin

I was late to the party, but what a party it was!

Quase a sair de exibição, consegui ainda ver The Bling Ring no cinema. Adolescentes obcecados pela fama a assaltar as casas de celebridades ainda mais obcecadas pela fama. Porquê? Porque sim. A vida acontece sem planos, os crimes sucedem-se sem uma verdadeira consciência da transgressão. O valor de uma coisa não está no monetário, mas no facto de um dia ter adornado o corpo de uma celebridade. As relíquias de santo do século XXI.


No meio de tudo está a queen bee Rebecca (Katie Chang), que alia à frieza uma fixação em Paris, em Audrina, em Lindsay. Ao seu redor gravitam outros, destacando-se o sensível Marc (Israel Broussaurd) e a igualmente alucinada Nicki (Emma Watson).


O mais perturbante no meio de tudo é ler o artigo da Vanity Fair que deu origem ao filme, The Suspects Wore Louboutins, e perceber que as partes mais loucas são as mais fiéis à história real (os nomes do grupo foram alterados, mas reconhecemos imediatamente quem é quem). Sim, Paris Hilton deixava mesmo a chave debaixo do tapete e só à quinta vez é que percebeu que tinha sido assaltada. E já agora, a casa que aparece no filme é mesmo dela, completa com  o retrato nas almofadinhas, na parede, nas molduras, algures entre o kitsch e o sinistro.


Uma das melhores sequências do filme é o assalto à casa de Audrina Partridge, filmado numa casa inteiramente envidraçada num plano contínuo sem som, qual casa de bonecas.


E no clímax da obsessão de Rebecca, o grupo assalta a casa de Lindsay Lohan e esta senta-se ao toucador da actriz e aplica o perfume dela, numa espécie de transe por estar tão próximo da intimidade do seu ídolo.


No fim há repórteres, tribunais, lágrimas e macacões cor-de-laranja. E Nicki tem o seu momento em frente às câmaras tão alucinado que tem o seu quê de Norma Desmond do novo milénio. Para minha profunda surpresa, percebi ao ler o artigo que a declaração de Nicki é rigorosamente exacta ao que disse na vida real. Aqui, como em muitos outros momentos, o talento de Sofia Coppola é perceber que a verdade é só uma: a ficção nunca ultrapassa a realidade.

7 comentários :

  1. Same here!!! Quando fui ler o artigo e percebi que as partes mais insólitas eram realmente verdade... Fiquei mesmo :O NO WAY! O filme está excelente, gostei imenso!

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  2. Este filme é tão, mas tão mau... Vazio, fútil. Fui ao cinema ver e foi a primeira vez na minha vida que não me senti bem ao sair de uma sala de cinema. A única coisa que senti foi raiva por ter gasto 5 euros e tal no bilhete. Mas enfim, são opiniões.

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  3. Parou tudo que eu ia finalmente ver isto na sexta-feira (não perco um Sofiazinha) e não vou vou ter sorte nenhuma! Achas que sai na quinta? :\

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    1. Eu vi no Corte Inglês, acho que nos cinemas UCI talvez dure mais uma semana ou duas!

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    2. Saiu, entretanto. Lá terei de esperar para o ver em dvd!

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  4. Estou muito curiosa para ver o filme. O que me faz confusão, mais do que a idolatria, é o tipo de "ídolos" que estes jovens escolhem para se obcecar. Audrina who?

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    1. "Pessoas famosas por ser famosas", categoria em que quanto menos se tem na cabeça, mais se aparece nas revistas... Também temos uns quantos por cá!

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