ainda não temos para venda


No início de Janeiro mencionei por aqui que tinha passado na Marionnaud dos Restauradores e fiquei agradavelmente surpreendida ao encontrar no expositor a colecção de Primavera da Dior, embora na altura me tenham dito que tinha acabado de chegar e ainda não tinham os produtos para venda, só os testers.

Entretanto fui passando lá porque tinha um vale para usar e queria ver se chegava a colecção de Primavera da Chanel. As semanas foram passando e para além da colecção da Dior não apareceu mais nenhuma colecção de Primavera nos expositores da Marionnaud. 

A meio de Fevereiro perguntei o preço do tal primer matificante da Dior que tinha experimentado cerca de um mês antes. Ainda não temos para venda, disseram-me.

Um mês e tal com os testers em exposição, e ainda não temos para venda. Olhei à minha volta. Os expositores da Dior e da Chanel (ainda com a colecção de Inverno) eram os únicos razoavelmente abonados. Os expositores da Yves Saint Laurent, da Guerlain e da Lancôme estavam repletos de espaços vazios onde faltavam testers, presumivelmente correspondentes a produtos que não estavam em stock. Era uma situação que já se vinha verificando há cerca de um ano nas lojas Marionnaud que eu frequentava, mas nunca tinha visto uma loja com os expositores tão vazios.

Entretanto, na Perfumes & Companhia do Rossio uns metros mais abaixo, a colecção de Primavera da Chanel tinha chegado há duas semanas. 


Creio que todos percebemos que o actual clima económico é difícil. Que a perfumaria e cosmética é um artigo de luxo que cede perante os bens de primeira necessidade. E que perfumarias meio “à moda antiga” como a Marionnaud cada vez mais perdem perante os colossos de centro comercial que são a Sephora, a Perfumes & Companhia ou a Douglas.

Mas eu até fazia compras na Marionnaud. Ou faria, se tivessem produtos em stock. É claro que comprar mercadoria custa dinheiro, porque "para ganhar dinheiro é preciso gastar dinheiro". É por esse motivo que as empresa recorrem ao financiamento bancário, e também é verdade que hoje em dia os bancos implementaram regras muito mais estritas na concessão de financiamentos e dificultaram a vida a muitas empresas.

Infelizmente é muito fácil fazer juízos e atirar pedras em situações que são muito difíceis. Desconheço a actuação da gestão e os factos concretos do caso. Mas olhando para trás e pensando naqueles expositores vazios, percebo que esta era uma morte anunciada pelo simples motivo de que, se o produto não está à venda, as pessoas vão comprá-lo noutro sítio. Como já dizia o Bill Clinton: it's the economy, stupid.

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