num ecrã perto de si #1: the walking dead

Há uns tempos que brincava com a ideia de escrever uma rubrica sobre séries de televisão, mas não sabia bem por onde começar. Mas chegada a época das estreias, a época de nos enroscarmos em frente ao ecrã com uma mantinha e um chá quente na mão, decidi que não era tarde nem cedo. E aproveitando a estreia da quinta temporada hoje à noite no canal Fox, começo por vos falar de The Walking Dead.


Normalmente quando falo de The Walking Dead a alguém que não conhece a série, tenho de esclarecer que na verdade não se trata de uma série sobre zombies, porque senão eu não a veria. Porque eu sou da geração que viu o Pesadelo em Elm Street às escondidas em VHS, só que eu não vi o Pesadelo em Elm Street nem às claras nem às escondidas, nem em VHS nem em DVD, nem o Sexta-Feira 13, nem o The Ring, nem o Saw nem outros que tais. Eu não vejo filmes de terror. Ponto parágrafo. Se a coisa tiver uns laivos de ficção científica e um enredo que não se basta pelo mero susto gratuito sou capaz de fazer um esforço. Exemplo: a saga Alien. De resto... não contem comigo.

E portanto dizia eu que The Walking Dead não é uma séries sobre zombies. Até porque os zombies em si são bastante aborrecidos. Não têm funções cerebrais desenvolvidas, não falam, só rosnam,  arrastam-se por aí a morder pessoas, e é isto. Não, The Walking Dead não é sobre zombies. É sobre o total e completo colapso da civilização humana, e sobre os que os seres humanos são capazes de fazer quando caem por terra as regras e convenções que limitam o seu comportamento no dia-a-dia.

Para alguém que como eu, faz das regras e do direito a sua vida, este é um tema caro. Chamai-me cínica, mas quanto mais vejo da vida, mais me convenço que apenas um finíssimo verniz de civilização nos separa da barbárie. E ver The Walking Dead é ver o que acontece quando esse verniz estala. Há genuíno sentimento, amizade e sacrifício? Há. E há redenção e esperança nos piores momentos. Mas também há crueldade e despotismo de fazer o sangue gelar, e há seres humanos tão maus de maus, que fazem os zombies comedores de carne parecerem ursinhos de peluche. Acham rebuscado? Vão lá ver o telejornal de hoje e depois digam-me coisas.

É uma de duas séries que aprecio, onde convém não nos apegarmos demasiado aos personagens, porque eles morrem que se fartam (fácil será adivinhar, que a outra é A Guerra dos Tronos). E confesso que às vezes salto um episódio ou dois, ou pior, vou online espreitar os recaps para saber o que aconteceu, porque não aguento a tensão em certos pontos da narrativa.


É uma série em que as personagens mudam, crescem, desenvolvem-se. Todos cometem erros e nem sempre os conseguem redimir.  E depois há esta senhora. Chama-se Michonne e tem uma katana. É preciso dizer mais?

3 comentários :

  1. Walking Dead é tãããããoooo bom!
    E a tua descrição é certeira! Uma excelente introdução para quem acha que é uma série de mortos vivos.

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    1. Não é?! Eu passo a vida a dizer aos meus amigos e colegas de Direito que têm de ver isto para perceber a importância das regras e dos dissuasores no funcionamento da sociedade!

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    2. Mesmo Patuxxa! Acho que é das melhores séries que andam por aí. O argumento, as personagens, a fotografia... ohhhhh, é tudo tão bom! Os insights a que uma pessoa chega depois de ver um episódio destes. Ui ui!

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