quatro aromas para o Outono


Alaïa Paris é o primeiro perfume do estilista Azzedine Alaïa, criado pela perfumista Marie Salamagne. Inclui notas de pimenta rosa, frésia, peónia e almíscar. Desde o lançamento das suas primeiras colecções nos anos 80, Azzedine Alaïa sempre teve uma carreira marcada pela sua personalidade e individualismo, nunca foi de seguir tendências mas de criá-las. As suas peças estruturadas e recortadas são clássicos modernos. 

Ao conceber o seu primeiro perfume, Alaïa falou à perfumista das suas recordações de infância na Tunísia e em especial da memória da sua avó deitando água fresca sobre as pedras do pátio em dias de calor, e do cheiro dessas pedras molhadas à medida que a água se evaporava ao sol. Achei a ideia tentadora, até porque adoro, adoro o cheiro da terra molhada depois de uma tempestade de Verão. Este efeito surge no perfume de forma bastante subtil. Começa como um floral suave, depois vai ficando só a base almiscarada. Gostei do perfume e achei-o bastante original. Não sei bem se me apetece comprá-lo. Precisa de mais um ou dois test drives.


Mod Noir é o penúltimo lançamento de Marc Jacobs e chegou-nos mesmo a meio do Verão. É um floral centrado na gardénia com notas de clementina e yuzu (um citrino asiático), verdes (1), lírio aquático, gardénia, magnolia e tuberosa, almíscar, flor de laranjeira e nectarina. Foi criado pelo perfumista Jean-Claude Deville.

(1) Nunca sei como traduzir a expressão «green notes» que se encontra frequentemente nas descrições de certos perfumes modernos. Suponho que a ideia não seja cheirar a relva...

O frasco é lindo e o conceito também. Tinha grandes esperanças para este perfume. Mas passados dois minutos de o pulverizar na pele já queria lavar a mão... Há aqui qualquer coisa me que desagrada profundamente e não sei bem dizer o que é, provavelmente a conjugação das notas verdes e da gardénia. É uma questão de gosto pessoal, naturalmente - como o são todas a nível de estilo, e nos perfumes em especial.


Outro frasco lindo, outra desilusão. Miu Miu é o primeiro perfume da marca, criado pela perfumista Daniela Andrier. Inclui notas de jasmim, rosa, lírio do vale, verdes, e madeira akigala. Eu gosto da maioria dos perfumes da Prada, marca da qual a Miu Miu é a «mana mai'nova», que acho elegantes e em perfeita consonância com o conceito da marca. Não consigo dizer o mesmo deste perfume. Não encontro nele a irreverência da marca Miu Miu. É um floral simpático, mas mais uma vez e tal como o Mod Noir, aquelas notas verdes no início enjoam-me. 


Depois de duas desilusões, não estava sequer à espera que o novo Decadence da Marc Jacobs já estivesse disponível por cá. Nunca liguei aos perfumes da marca porque os achava algo juvenis, e como referi acima, a minha experiência com o Mod Noir foi muito má. Mas ontem fui espreitar a maquilhagem Marc Jacobs à Sephora e acabei por experimentar este perfume, criado pela perfumista Annie Buzantian. É um perfume «crescido», para um dia de Inverno ou uma saída à noite: tem notas de ameixa italiana, açafrão, íris, rosa búlgara, jasmim Sambac, âmbar, vetiver e madeira de papiro. 

Não gosto assim muito da nota de abertura (deve ser a ameixa italiana, porque não sou fã de frutados), mas depois dos primeiros segundos este perfume transforma-se num oriental amadeirado muito bom. Surpreendeu-me, tenho de dizer. Nas notas de fundo lembra um bocadinho o Coco Noir mas menos doce. Dei por mim a cheirar a mão várias horas depois de o ter aplicado, o que é sempre sinal de uma boa impressão. 

E o frasco é um amor. Imita uma pequena clutch com corrente metálica e uma borla de franjas negras. Parece-me que há aqui inspiração certeira no frasco original de parfum do icónico Opium da Yves Saint Laurent, que também tem uma fitinha e uma borlinha de franjas. Claro que o Decadence será sempre infinitamente mais comportadinho que o Opium, supra-sumo dos orientais, mas há que dizer, Marc, estás desculpado pela desilusão do Mod Noir. Continua assim que vais bem,

3 comentários :

  1. O Alaïa entrou na minha lista de Natal mal p cheirei, em Agosto, em Lisboa. Adoro!!

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  2. O Miu Miu foi um verdadeira desilusão! Pela descrição, parece-me que vou gostar do decadence da Marc Jacobs

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