"review": ZOEVA En Taupe


A Zoeva, criada em 2008 pela maquilhadora Zoe Boikou, começou como uma marca de pincéis de maquilhagem com belíssima relação qualidade / preço, e que eu recomendo sem pestanejar: possuo o conjunto Rose Golden original e mais dois ou três isolados que comprei entretanto, e adoro-os a todos. Neste momento, não troco a Zoeva por uma MAC, e tornou-se a minha marca de preferência para pincéis de maquilhagem.

Mas não contentes com a qualidade dos seus pincéis, a Zoeva aventurou-se na maquilhagem propriamente dita mantendo excelente qualidade a preços imbatíveis. Estragam-nos com mimos, é o que é. Soube que havia amor no ar no primeiro dia em que entrei na Kitchen Make Up e passei os dedos pela Mixed Metals, a minha primeira paleta de sombras da marca. Entretanto vieram mais uns batons e outra paleta, a Cocoa Blend. Tudo maravilhoso.


O novíssimo lançamento da Zoeva é a paleta En Taupe, criada à volta desse tom mítico que não é bem bege nem é bem cinza, o taupe ou toupeira. À primeira vista receei que os tons da En Taupe fossem demasiado claros e/ou frios para mim, que tenho pele média e de subtom amarelo. Também me pareceu que faltava um tom mais escuro na paleta para criar um look completo. No entanto, após as primeiras experiências, percebi que os tons da En Taupe são suficientemente versáteis para se adaptarem a diversos tons de pele (e nomeadamente à minha cor de Inverno), e que o tom mais escuro, a sombra Old Master, tem profundidade suficiente para criar um esfumado em equilíbrio com as demais cores. A En Taupe é, pois, uma concorrente de peso às Naked da Urban Decay, às quais ganha aos pontos em preço e não fica absolutamente nada atrás em qualidade. Ora vejamos:


  • Stitch by Stitch: bege marfim mate
  • Handmade: pêssego claro metalizado
  • Gallery: toupeira claro mate
  • Hour by Hour: rosa pêssego mate
  • Old Master: castanho arroxeado mate com pequeníssimos e esparsos brilhos rosados
  • Spun Pearl: branco perlado
  • Sheers & Voiles:  cinza claro perlado com reflexos rosa muito suaves 
  • Outline: toupeira metalizado de base quente / acastanhada
  • Wrapped in Silk: toupeira metalizado de base fria;
  • Exquisite: chocolate de leite mate

As sombras aplicam-se todas com grande facilidade e até requerem mão leve de tão pigmentadas que são, destacando-se a Spun Pearl e a Outline que são pigmentadíssimas. As metalizadas são um bocadito mais pigmentadas que as mates, que por sua vez são ligeiramente mais poeirentas, no entanto maquilhei-me com toda a naturalidade sem precisar de limpar pigmentos do canto do olho ou das faces, como por vezes acontece.

Trata-se de uma paleta que permite a criação de diversas maquilhagens naturais e apropriadas para o trabalho sem grande esforço, pois as sombras aplicam-se e esfumam-se com grande facilidade. Moral da história: se soubesse o que sei hoje, não tinha gastado tanto dinheiro na Urban Decay...

Produto gentilmente cedido pela Kitchen Make Up Boutique para review.

quatro aromas para o Outono


Alaïa Paris é o primeiro perfume do estilista Azzedine Alaïa, criado pela perfumista Marie Salamagne. Inclui notas de pimenta rosa, frésia, peónia e almíscar. Desde o lançamento das suas primeiras colecções nos anos 80, Azzedine Alaïa sempre teve uma carreira marcada pela sua personalidade e individualismo, nunca foi de seguir tendências mas de criá-las. As suas peças estruturadas e recortadas são clássicos modernos. 

Ao conceber o seu primeiro perfume, Alaïa falou à perfumista das suas recordações de infância na Tunísia e em especial da memória da sua avó deitando água fresca sobre as pedras do pátio em dias de calor, e do cheiro dessas pedras molhadas à medida que a água se evaporava ao sol. Achei a ideia tentadora, até porque adoro, adoro o cheiro da terra molhada depois de uma tempestade de Verão. Este efeito surge no perfume de forma bastante subtil. Começa como um floral suave, depois vai ficando só a base almiscarada. Gostei do perfume e achei-o bastante original. Não sei bem se me apetece comprá-lo. Precisa de mais um ou dois test drives.


Mod Noir é o penúltimo lançamento de Marc Jacobs e chegou-nos mesmo a meio do Verão. É um floral centrado na gardénia com notas de clementina e yuzu (um citrino asiático), verdes (1), lírio aquático, gardénia, magnolia e tuberosa, almíscar, flor de laranjeira e nectarina. Foi criado pelo perfumista Jean-Claude Deville.

(1) Nunca sei como traduzir a expressão «green notes» que se encontra frequentemente nas descrições de certos perfumes modernos. Suponho que a ideia não seja cheirar a relva...

O frasco é lindo e o conceito também. Tinha grandes esperanças para este perfume. Mas passados dois minutos de o pulverizar na pele já queria lavar a mão... Há aqui qualquer coisa me que desagrada profundamente e não sei bem dizer o que é, provavelmente a conjugação das notas verdes e da gardénia. É uma questão de gosto pessoal, naturalmente - como o são todas a nível de estilo, e nos perfumes em especial.


Outro frasco lindo, outra desilusão. Miu Miu é o primeiro perfume da marca, criado pela perfumista Daniela Andrier. Inclui notas de jasmim, rosa, lírio do vale, verdes, e madeira akigala. Eu gosto da maioria dos perfumes da Prada, marca da qual a Miu Miu é a «mana mai'nova», que acho elegantes e em perfeita consonância com o conceito da marca. Não consigo dizer o mesmo deste perfume. Não encontro nele a irreverência da marca Miu Miu. É um floral simpático, mas mais uma vez e tal como o Mod Noir, aquelas notas verdes no início enjoam-me. 


Depois de duas desilusões, não estava sequer à espera que o novo Decadence da Marc Jacobs já estivesse disponível por cá. Nunca liguei aos perfumes da marca porque os achava algo juvenis, e como referi acima, a minha experiência com o Mod Noir foi muito má. Mas ontem fui espreitar a maquilhagem Marc Jacobs à Sephora e acabei por experimentar este perfume, criado pela perfumista Annie Buzantian. É um perfume «crescido», para um dia de Inverno ou uma saída à noite: tem notas de ameixa italiana, açafrão, íris, rosa búlgara, jasmim Sambac, âmbar, vetiver e madeira de papiro. 

Não gosto assim muito da nota de abertura (deve ser a ameixa italiana, porque não sou fã de frutados), mas depois dos primeiros segundos este perfume transforma-se num oriental amadeirado muito bom. Surpreendeu-me, tenho de dizer. Nas notas de fundo lembra um bocadinho o Coco Noir mas menos doce. Dei por mim a cheirar a mão várias horas depois de o ter aplicado, o que é sempre sinal de uma boa impressão. 

E o frasco é um amor. Imita uma pequena clutch com corrente metálica e uma borla de franjas negras. Parece-me que há aqui inspiração certeira no frasco original de parfum do icónico Opium da Yves Saint Laurent, que também tem uma fitinha e uma borlinha de franjas. Claro que o Decadence será sempre infinitamente mais comportadinho que o Opium, supra-sumo dos orientais, mas há que dizer, Marc, estás desculpado pela desilusão do Mod Noir. Continua assim que vais bem,
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